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E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. João 17:3


Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal

Habacuque 1:13

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Este artigo pode ser um complemento aos artigos A origem da mentira e do mal Porque Deus predestinou toda esta história?até porque, creio que esta questão pode ser abordada de forma ainda mais profunda.

 

Bem, Deus é o único ser eterno e que reúne uma série de características que mais ninguém pode ter, como a omnipotência, a omnipresença e a omnisciência.

 

Deus é o criador do universo, e de tudo o que existe para além dele - por sua livre vontade. Logo, quem dita as regras daquilo que é certo ou errado é ele mesmo - e independentemente da nossa opinião, o "bem" será sempre ditado por Deus através da sua natureza santa, justa e recta.

 

Quando Deus criou os anjos (mesmo antes da criação do homem), o "mal" já existia? Creio que sim. Porque a partir do momento em que Deus cria os primeiros seres morais, o "mal" já existia de forma intrínseca, mesmo que fosse apenas por principio (mesmo quando nenhum anjo se tinha rebelado contra Deus).

 

Tudo o que foge à natureza de Deus é o "mal"- enquanto que agir em conformidade com a sua vontade é o "bem", que devemos sempre praticar.

 

Para Deus, seria fácil não colocar nenhuma árvore do conhecimento do "bem e do mal" no meio do jardim? Talvez não. Porque, como conceito, o "mal" não estaria resolvido. O "mal" podia não existir na prática, mas na mente de Deus existiria sempre como conceito, e isso só por si, talvez já fosse uma questão a ser resolvida. Afinal, teoricamente, essa poderia ser uma realidade.

 

Ao dar uma única regra a Adão e Eva, estes, já conheciam o "mal" como conceito, porque Deus ditou também as consequências de uma eventual desobediência. Embora nos desígnios de Deus uma desobediência certa porque foi predestinada com um propósito que estamos aqui a analisar.

 

Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia.

Romanos 11:32

 

Assim, quando o homem pecou, este, colheu os amargos frutos de tal decisão, dando legitimidade para que o "mal" fosse um dia mais tarde definitivamente irradiado da presença de Deus tanto em prática como em simples conceito.

 

Indo agora um pouco de encontro ao título do artigo, penso que antes da criação o "mal" não existia, porque só havia Deus, logo, não havia forma de haver oposição às suas características morais.

 

Agora, a partir do momento em que Deus cria seres livres e morais, para que haja ordem na criação, Deus, que é a nossa referência, tem que naturalmente impor regras morais que venham de encontro à sua própria natureza, para que haja ordem na sua criação. Ora, se Deus é o criador, por uma questão de legitimidade lógica e para que haja ordem na sua própria criação, as suas criaturas devem estar sempre subjugadas a ele mesmo. 

 

Se as suas criaturas não estiverem subjugadas ao seu criador, naturalmente que dentro da criação irá haver dor e sofrimento, pois a criatura torna-se como um avião que no meio do percurso perdeu o seu piloto. O resultado, claro, é a "queda".

 

Voltando mais atrás, se o "mal" já existia de forma intrínseca, até mesmo antes das suas criaturas pecarem, será que para Deus, que é tão recto, tão puro, tão santo e tão justo; não teria assim que banir o simples conceito de "mal" de forma definitiva? Não estará aqui o grande segredo pelo qual Deus, permitiu e decretou uma história em que haveria a queda dos anjos (nomeadamente do seu grande líder Satanás), a queda do homem e a consequente condenação eterna no lago de fogo e enxofre?

 

E o que é facto, é que a Bíblia não nega que houve vasos criados para honra e para desonra:

 

Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?
Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?
E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição;
Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou,
Os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?

Romanos 9:20-24

 

O calvinismo é algo que para mim faz cada vez mais sentido, porque cada vez mais me convenço que o pecado teria que se manifestar para que posteriormente fosse punido e nunca mais pudesse haver hipótese deste se manifestar tanto na prática, como em conceito.

 

Daí, o lago de fogo e enxofre ser uma condenação eterna. A condenação, ao ser eterna, faz com que o simples conceito de "mal" não possa sequer em ser pensado, porque o "mal" não só foi punido na cruz (neste caso para os salvos antes da fundação do mundo), como estará a ser punido eternamente num local à parte a que chamamos de Inferno.

 

Creio assim, que a manifestação prática do "mal" e da consequente condenação eterna, teria que ser uma inevitabilidade, para que na eternidade, o "mal" até como simples conceito, não possa mais ser possível.

 

Concluí-se assim, que a predestinação na queda, na eleição ou na condenação não foi um mero capricho de Deus. Foi uma inevitabilidade que lá no céu fará para nós todo o sentido.

 

Nós que, no meio de uma humanidade em trevas, fomos resgatados ainda antes da fundação do mundo pelo sacrifício de Cristo na cruz. Nós, os salvos por Cristo, passamos para o lado do "bem", porque o próprio filho de Deus foi quem mais sofreu no meio de toda esta predestinação - e é fundamental nunca esquecer isto.

 

Na cruz, Cristo venceu o "mal" definitivamente, dando-nos condições para sermos recebidos como filhos pródigos. Mas, esta, é uma vertente mais amorosa entre criador e criatura abordada no artigo Porque Deus predestinou toda esta história?, já que este artigo tem uma vertente mais virada para o lado filosófico do "bem" e do "mal".

 

 

E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.

Apocalipse 21:4

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