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E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. João 17:3


E, ao terceiro dia, fizeram-se umas bodas em Caná da Galiléia; e estava ali a mãe de Jesus.
E foi também convidado Jesus e os seus discípulos para as bodas.
E, faltando vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm vinho.
Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.
Sua mãe disse aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser.
E estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam dois ou três almudes.
Disse-lhes Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima.
E disse-lhes: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E levaram.
E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água), chamou o mestre-sala ao esposo,
E disse-lhe: Todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.
Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele.

João 2:1-11

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3. A mãe de Jesus lhe disse. E de se perguntar se, porventura, ela esperava ou pedia alguma coisa a seu filho, quando ele não havia ain­da realizado nenhum milagre. E é possível que, sem esperar qualquer providência desse gênero, ela lhe pedisse que tranquilizasse o ânimo dos convivas com algumas exortações piedosas, ao mesmo tempo as­sim amenizasse o embaraço do noivo. Além do mais, considero suas palavras como aupTiaÔda, ou ardente compaixão. Pois quando a santa mulher viu que a festa poderia ser perturbada pela suspeita de que os convivas pudessem estar sendo tratados com desrespeito, e viessem a murmurar contra o noivo, ela procurou algum meio de amenizar a si­ tuação. Crisóstomo lança-lhe a suspeita de ser movida por seu instinto feminino de ir após não sei que sorte de favorecimento para si e para seu Filho. Tal conjectura é destituída do apoio de qualquer argumento.

 

Por que, pois, Cristo a repele com tanta severidade? Minha respos­ta é que, embora ela não fosse motivada por nenhuma ambição, nem por outra qualquer afeição carnal, todavia pecou em ir além de seus próprios limites. Sua solicitude sobre a inconveniência suportada por outros, e seu desejo de remediá-la de alguma forma, eram provenientes da bondade e devem receber seu crédito; não obstante, ao promover­ -se, ela poderia ter obscurecido a glória de Cristo. Portanto, devemos observar que Cristo falou assim, não tanto por ela, mas por causa dos demais. Sua modéstia e generosidade eram imensas demais para que merecessem reprovação tão severa. Além disso, ela não estava pecando consciente e voluntariamente; Cristo, porém, apenas mostra o perigo de que as palavras de sua mãe fossem mal interpretadas, como se estives­se nela ordenar que ele, a partir daí, operasse o milagre.

 

4. Mulher, o que tenho a ver contigo? O grego literalmente sig­nifica: O que a mim e a ti?”. Mas a fraseologia grega vem a ser a mesma coisa que o latim: Quid tihi mecum? (“O que tens tu a ver co­migo?”). O antigo tradutor [Vulgata] desorientou a muitos, dizendo que Cristo considerou a falta de vinho como algo que não interessava nem a ele nem a sua mãe. A luz da segunda cláusula, porém, podemos facilmente concluir quão longe isso estava da mente de Cristo, pois ele se reveste desse cuidado e declara que isso era de seu interesse quando acrescenta que sua hora não ainda não chegara. Essas duas coisas devem estar juntas, ou seja, que Cristo entende o que lhe seria necessário fazer, e, no entanto, nada fará a esse respeito seguindo a sugestão de sua mãe.

 

Esta é uma passagem notável. Ora, por que ele absolutamente recusa à sua mãe o que depois graciosamente admitiu tão amiúde a toda sorte de pessoas? Além disso, por que ele não se satisfaz com a mera recusa, mas ainda a coloca na categoria comum de mulher, nem mesmo honrando-a com o título de mãe? É indubitável que este dito de Cristo adverte pública e francamente aos homens a terem o cui­dado de não transferir a Maria o que pertence a Deus, exaltando de modo tão supersticioso a honra do nome maternal da Virgem Maria. Cristo, pois, se dirige a sua mãe nesses termos com o fim de transmi­tir uma lição perpétua e geral a todas as gerações, para que alguma honra extravagante prestada a sua mãe não viesse a obscurecer sua divina glória.

 

Quão necessária se fez esta advertência, em consequência das grosseiras e abomináveis superstições que se seguiram mais tarde, o que é sobejamente notório. Pois Maria se transformou em Rainha do Céu, a Esperança, a Vida e a Salvação do mundo. E, de fato, seu insano desvario foi tão longe que despiram Cristo de suas prerroga­tivas, e o deixaram quase nu. E quando condenamos essas malditas blasfêmias dirigidas ao Filho de Deus, os papistas nos chamam de ma­liciosos e invejosos. Não só isso, mas disseminam a perversa calúnia de que somos letais inimigos da honra da santa Virgem, como se ela não possuísse ainda todas as honras que lhe são devidas, a menos que ela se converta em deusa; como se devesse tratá-la com respeito, adornando-a com títulos sacrílegos e pondo-a em lugar de Cristo! Por­ tanto, são os próprios papistas que fazem a Maria uma cruel injúria quando, a fim de desfigurá-la com falsos louvores, arrebatam de Deus o que lhe pertence. 

 

Minha hora ainda não chegou. Significa que ele até então nada fizera não por displicência ou indolência, e ao mesmo tempo insinua que ele cuidaria do problema quando o tempo oportuno chegasse. Como ele reprova sua mãe por pressa imponderada, assim, em contra­ partida apresenta-lhe motivo para esperar um milagre. A santa Virgem reconhece ambas essas intenções, pois desistiu de pressioná-lo. E, ao aconselhar os servos que fizessem tudo quanto ele mandasse, com isso ela demonstra que agora ela está à espera de algo. Esta lição, porém, tem uma aplicação ainda mais ampla: sempre que o Senhor nos mantém em suspenso e retarda seu socorro, não significa que ele esteja inativo, mas, ao contrário, que regula suas operações de tal modo que só age no tempo determinado. Os que têm aplicado esta passagem com o intuito de provar que o tempo dos eventos é designado pelo Destino são ridícu­los demais para que mereçam sequer uma que os refute.

 

 hora de Cristo às vezes significa a hora que lhe foi designada pelo Pai; e mais tarde ele chama seu tempo o que era conveniente e oportuno para a concretização dos mandamentos do Pai. Aqui, porém, ele reivindica o direito de dispor e decidir o tempo de trabalhar e exibir seu poder divino.3

 

5. Sua mãe disse aos servos. Aqui a santa Virgem dá um notável exemplo da genuína obediência que ela devia a seu Filho, quando a questão relacionada era não os deveres humanitários, mas de seu divi­no poder. Portanto, ela modestamente aquiesce à resposta de Cristo e exorta aos demais a que obedeçam às injunções dele. Reconheço que o que a Virgem agora afirma se relacionava com a presente ocorrência, e era como se ela estivesse, neste caso, negando a sí qualquer autori­dade, e que Cristo faria, segundo seu próprio beneplácito, tudo quanto quisesse. Mas, se o leitor atentar bem sua intenção, notará que sua afirmação tem uma aplicação ainda mais ampla. Pois, primeiramente, ela renuncia e descarta o poder que aparentemente usurpara, e em seguir atribui a Cristo toda autoridade, quando os incita a fazer tudo o que ele mandasse. Daqui, por estas palavras, somos instruídos, em ter­mos gerais, que, se desejarmos alguma coisa de Cristo, não obteremos resposta às nossas orações, a menos que dependamos inteiramente dele, buscando-o e, em suma, fazendo tudo o que ele ordenar. Em con­trapartida, ele não nos encaminha a sua mãe, mas, ao contrário, nos convida a irmos a ele próprio. 

 

 

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